É corrigindo os erros que se aprende 24 Julho, 2009
Posted by vicentetavares in Crônicas.add a comment
Há algum tempo escrevi sobre os erros e como eles são importantes para nosso aprendizado e amadurecimento. E descrevi sete etapas do erro
1- Cometer o erro
2- Perceber o erro
3- Admitir o erro
4 – Pedir desculpas
5 – Consertar o erro
6 – Agüentar as conseqüências
7 – Aprender com o erro
Pois bem, depois de ler o livro Nos Labirintos da Moral de Mario Sergio Cortella e Yves de La Taille da editora Papirus, percebi que cometi um erro no último passo.
Sendo assim, peço desculpas a todos que leram meu artigo anterior e apresento abaixo a correção:
7 – Aprender com a CORREÇÃO do erro…
Parafraseando Cortella:
“Se a gente aprendesse com os erros era só ir errando bastante, era o melhor método pedagógico.”
Concordo com isso. Somente quando corrigimos os erros aprendemos alguma coisa. De certa forma isso é uma síntese do que descrevi. Pois não aprendemos pelo simples ato de errar. É preciso ter consciência (ou ciência) do erro, assumi-lo, lembrando que não é condenável errar, o condenável (se é que podemos dizer dessa forma) é o desleixo que seria não corrigir o erro ou não aceitar a correção, não tirar dessa correção nenhum proveito seria também um descaso e por fim e, talvez, o mais grave seria o descuido ou desatenção de repetir o erro.
Apenas reitero aquilo que disse no artigo anterior: Não tenha medo de errar, mas não erre por desleixo, descuido ou desatenção.
Nos Labirintos da Moral 24 Julho, 2009
Posted by vicentetavares in Crônicas.add a comment
Que agradável leitura.
Nos Labirintos da Moral conseguiu me manter ávido por pensar do início ao fim, e além.
Se com o Monge e o Executivo eu disse ser impossível ser o mesmo depois de ler, com Nos Labirintos… é impossível não acordar o cérebro.
O mais impressionante é que o tempo todo sentia como se estivesse participando da conversa do Mario com o Yves e o fato de eu colocar apenas o primeiro nome deles demonstra o nível de intimidade que se sente lendo o livro.
O livro realmente trás essa proximidade, instiga, questiona, aponta e faz pensar, e pensar muito.
Ao terminar a leitura me vi quase obrigado a escrever essa breve impressão. Tenho certeza que vou reler o livro e também citá-lo novamente ou até escrever uma resenha.
Obrigado aos meus colegas Mario e Yves espero encontrá-los em breve.
O “Fenômeno” do Futebol 2 Julho, 2009
Posted by vicentetavares in Crônicas.1 comment so far
Dia 02 de Julho de 2009.
Hoje presenciei um fenômeno no mínimo interessante sobre as pessoas.
Centenas (ou seriam milhares?) de pessoas comemorando empolgadíssimos à conquista do Corinthians a mais um título. Fogos de artifícios, gritaria, alegria. Certamente os boleiros e fanáticos explicariam por horas que não é apenas mais um título e falariam da importância e desdobramentos dessa vitória.
Para mim foi apenas mais um título.
E num ambiente de trabalho onde todos são quase-fanáticos (quase?) por futebol e a maioria é corinthiana dizer isso foi o mesmo que uma heresia. E o pior é que para alguns, realmente é uma heresia.
E que trabalho dá explicar que eu não gosto de futebol. Invariavelmente vem a pergunta: “Nem na Copa você gosta?” Ao que me sinto tentado a responder: “Por que? Na Copa muda o esporte?”
É nesse momento que vem a acusação: “Você não é patriota! Não torce pelo seu país!”
É claro que eu sou patriota, amo meu Brasil e torço muito por ele.
Torço para que tenha educação de qualidade para todas as crianças e não apenas para meia dúzia abastada. Torço para que haja justiça e vergonha na cara em Brasília (e em todo o território) para que tenhamos menos (ou nenhum, de preferência) escândalos com o dinheiro público.
E por falar em dinheiro, torço para que haja menos impostos, pois eu já não agüento mais trabalhar quase meio ano para pagar impostos que não são revertidos para a sociedade.
Mas também torço para que haja muito mais patriotas nesse país que, aliás, se chama Brasil e não Corinthians.
O fenômeno que eu mencionei foi ver um grupo de amigos do trabalho, no meio da sala, hastear a bandeira e colocar o hino do time para tocar e todos, vestidos com a camisa e mão no peito entoar o hino certinho.
“É só brincadeira” dirá um ou outro. Talvez eu esteja supervalorizando o acontecido, mas o fato é que o dia inteiro não houve outro assunto. Ora, até nosso presidente foi parabenizar o jogador Ronaldo “Fenômeno” Nazário e pedir que o time seja mantido no ano do centenário do time.
Mas por falar naquele patriotismo… Quantos possuem uma bandeira do Brasil? Quantos sabem cantar o hino nacional? E quando foi o centenário da República mesmo? Que feriado é 7 de Setembro? Quando a democracia foi restaurada?
Acho que prefiro continuar não sendo patriota dessa imensa e gloriosa nação corinthiana e nem sendo patriota a cada 4 anos. E 2014 que nos aguarde!
Só o Essencial #2 – Alan Moore 10 Junho, 2009
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Se você se interessa por quadrinhos ou cinema certamente já ouviu o nome de Alan Moore sendo pronunciado, e certamente foi dito com algum comentário sobre sua genialidade ou seu jeito hippie. Barbudo e cabeludo, com cara de poucos amigos esse inglês nasceu em North Hampton, Inglaterra em 18 de novembro de 1953.
Seu trabalho revolucionou a maneira de fazer e ler quadrinhos. Foi Moore um dos primeiros a tratar de temas mais densos, criando os chamados quadrinhos adultos, que na DC Comics – editora na qual Alan Moore trabalhou e arrumou muitos conflitos – deu origem ao selo Vertigo.
Ao longo de sua carreira trabalhou em diversos projetos e com diversos personagens, não apenas na DC Comics, mas também na Image Comics, no estúdio Wildstorm, e em outras incluindo sua própria editora, a Mad Love Publishing.
Poderíamos falar sobre cada um dos trabalhos dele, ou até mesmo dos melhores, mas isso seria contra a proposta dessa coluna, então vamos ao essencial, e antes que alguém me atire uma pedra: as histórias que vou tratar aqui são as que EU considero essenciais, se aquela história magnífica do Alan Moore que você tanto adora ficou de fora da lista, não se aflija, coloque suas observações sobre ela nos comentários.
Monstro do Pântano
A estréia de sucesso de Alan Moore foi com a série mensal de Monstro do Pântano. Foi ali que inaugurou a linha Vertigo de temas mais densos e sombrios, psicológicos e adultos. Mas o comentário sobre a série nem se deve ao trabalho excelente que ele fez com o Monstro, mas sim com a criação de um personagem fantástico que todos conhecem: John Constantine.
Onde foi que eu já vi isso antes? Sim, realmente a cara do John Constantine não é estranha, temos a impressão de que já o vimos em algum lugar antes. Trata-se nada menos do que o cantor Sting, vocalista da banda inglesa The Police (que, aliás, é muito boa). Moore colocou a estranha figura que aparece na edição #37 da revista Saga of the Swamp Thing, com a cara do Sting a pedido dos desenhistas da revista Steve Bissette e John Totleben.
Os chefões da DC entraram em pânico, temendo um processo por parte do cantor por uso indevido de sua imagem, especialmente se lembrarmos que Constantine é um fumante, imoral, entre outras características menos louváveis. Acontece que todo mundo adorou o personagem, incluindo o próprio Sting que teria dito numa entrevista que ficou lisonjeado pela homenagem. Num artigo futuro vou falar de John Constantine, e provavelmente do Monstro do Pântano também.
V de Vingança
Com mérito e louvor essa série leva o título de obra-prima de Alan Moore – título que tem que dividir com Watchmen. Publicada diversas vezes no Brasil, pela Editora Globo, Via Lettera e Panini, minha versão favorita é mesmo a da Panini, que manteve um volume único com algum material extra.
A trama gira em torno do Anarquista conhecido como V, misterioso, usa uma máscara com o rosto de Guy Fawkes. V é um terrorista contra um regime totalitário numa Londres fictícia, dominada por um ditador com ares de Hitler.
Surge a bela Eve que passa a ser uma “aprendiz” de V, enquanto a trama se desenrola V parece saber exatamente o que fazer para executar seus ousados planos. A maneira como é apresentada torna essa história magnífica. Infelizmente não posso falar muito mais sem estragar algumas surpresas. No artigo específico sobre essa série contarei mais detalhes.
Onde foi que eu já vi isso antes? A história de uma Londres fascista, bem nos moldes do ambiente opressivo do livro genial de George Orwell, 1984, infelizmente ambas as obras foram baseadas na nossa realidade, ou seja, o mundo que esses dois autores apresentam não é tão fictício assim.
A Piada Mortal
Não considero A Piada Mortal como a melhor história do Batman como já li em algumas revistas e sites especializados, mas sem dúvida considero como a melhor história do Coringa, por que, assim como o filme O Cavaleiro das Trevas, o “palhaço” do crime rouba a cena nessa história.
Em poucas palavras essa Graphic Novel de apenas 46 páginas mudou a forma como vemos o Coringa, ele deixou de ser o palhaço do crime – idéia original de Bill Finger e Jerry Robinson, seus criadores, para se tornar o reflexo distorcido do próprio Batman.
Além de contar uma possível e provável (pra mim definitiva) origem do Coringa, a história segue com um coringa psicótico, assassino frio e insano. Verdadeiramente e assustadoramente insano, nada de palhaço do crime! Ele não faz rir, mas causa calafrios. Ele tenta provar que qualquer pessoa normal pode enlouquecer se for pressionado demais. E o alvo para provar sua tese é ninguém menos que o Comissário Gordon.
A sequência clássica que acredito captura bem o espírito da revista é quando o Coringa atira na filha do Comissário, Bárbara Gordon, que naquela época vestia-se de Batmoça e combatia o crime. Observe as expressões do Coringa e da Bárbara, com um pouco de boa vontade você vai conseguir sentir o frio na barriga que a moça deve ter sentido, um instante antes de levar o tiro.
Onde foi que eu já vi isso antes? O monólogo do Batman no inicio da Graphic Novel certamente serviu de inspiração para o incrível dialogo entre os dois no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas. Recomendo a leitura do quadrinho e assistir o filme em seguida. Vão perceber que o Coringa interpretado por Heath Ledger mostra exatamente esse vilão psicótico e nada tem a ver com a péssima atuação de Jack Nicholson no primeiro filme do mascarado.
Watchmen
Que me perdoem os fãs das outras obras do Alan Moore, mas Watchmen ganha o título de obra-prima (eu já mencionei a divisão com V de Vingança). História incrivelmente complexa, mas ao mesmo tempo bem amarrada, intrigante, você só descobre o que ele quer que você descubra e no momento em que ele deseja, e o pior (ou melhor) é que o tempo todo a informação estava lá, só não tínhamos como percebê-la antes, assim como os grandes filmes de suspense.
A história trata de um mundo a beira do Apocalipse e o estopim de toda a trama é a morte de Edward Blake, o Comediante, um dos vigilantes mascarados que atuaram no mundo na década de 70, apenas lembrando que a história se passa em 1985 e nas palavras do próprio autor:
“Começando de onde George Orwell parou”
É fácil perceber as referencias e preferência de Moore pela obra de Orwell. Os personagens usados são inéditos, mas apenas porque a DC comics não permitiu que ele usasse os personagens da Charlton, uma editora menor comprada pela DC, de onde saíram personagens como o Questao, o Capitão Atomo entre outros.
A Edição definitiva da Panini está realmente fabulosa e adoraria receber algum patrocínio por estar fazendo essa propaganda, mas o fato é que realmente o trabalho ficou impecável. Capa dura, papel de qualidade, material adicional muito bacana, enfim valeu os R$ 96,00 investidos.
O gibi Contos do Cargueiro Negro que permeia toda a trama foi mais uma sacada de gênio do Alan Moore, pois nesse gibi dentro do gibi um garoto vê um personagem passando pelos mesmos dilemas e situações que a trama está mostrando, uma parábola que nos faz pensar: Tudo o que estamos lendo nesse gibi é o que está acontecendo com o mundo a nossa volta e não estamos percebendo?
Bem essa série em 12 edições foi tão boa que eu pretendo falar especificamente dela num artigo futuro nessa coluna. Se eu tiver que recomendar a leitura de UMA história do Alan Moore seria Watchmen e V de Vingança! ![]()
Onde foi que eu já vi isso antes? Aqui a referencia é inversa, o grande publico viu algo semelhante a Watchmen na animação infantil (?) da Disney/Pixar Os Incríveis. Heróis que são marginalizados pela sociedade, que vivem ocultos, heróis com problemas bastante mundanos, como um cinto que não fecha porque a barriga cresceu muito depois do casamento. Sem contar a impagável sequência da baixinha Edna Moda explicando porque não vai colocar uma capa para o Sr, Incrivel. Ou ninguém se lembra de um certo personagem virando a mascara de Rorscharch que o atrapalhou bastante, ou então o Dollar Bill que acabou morrendo por que a capa ficou presa…
A Liga Extraordinária
Pra começar a falar dos dois volumes da Graphic Novel de Liga Extraordinária, podemos começar esquecendo que um dia um filme foi feito. Tom Sawyer ninguém merece.
A história em quadrinhos é muito boa, a começar pela idéia de reunir os maiores heróis da literatura inglesa. Senti falta de alguns personagens igualmente clássicos, mas quem sabe eu mesmo não aproveito essa idéia num conto? Voltando a história, o grupo é composto por: a líder Mina Harker, uma vampira, o traiçoeiro e amoral homem invisível, o aventureiro Alan Quatermain, o genial doutor Jack e sua contraparte monstruosa Mr. Hyde e o honrado e destemido Capitão Nemo completando o time.
Todos heróis (ou nem tanto assim) a serviço da Coroa. Os dois volumes são agradáveis, embora eu não tenha gostado muito do desenho (a ponto de não me recordar o nome do desenhista), como eu disse a idéia é ótima, e o roteiro também, mas eu prefiro o volume dois talvez por achar mais violento.
Só pra constar alguns personagens da literatura que acrescentaria seriam: Dorian Grey (O retrato de Dorian Grey de Oscar Wylde), o único acerto do filme todo; Tarzan, Sherlock Holmes e o Profo. Moriarty, Dr. Victor Von Frankenstein e sua criatura. Alias isso me faz pensar na idéia de uma coluna Só o Essencial dos Clássicos da Literatura…
Onde foi que eu já vi isso antes? Alan Moore não precisa criar personagens novos para criar histórias incríveis, exemplo disso é a Liga Extraordinária, ou a liga dos cavalheiros extraordinários. Todos os principais personagens saíram dos clássicos da literatura, Alan Quatermain, das Minas do Rei Salomão de H. Rider Haggard, Capitão Nemo e seu submarino incrível do 20 mil léguas submarinas de Julio Verne, Mina Harker de Drácula, de Bram Stocker, O homem invisível da obra homônima de H.G. Wells, Dr. Jekyll e Mr. Hyde do Médico e o Monstro de Louis Stevenson
Do Inferno
Existe muito a respeito da graphic novel Do Inferno, do Alan Moore, a maioria dos artigos que encontrei enquanto pesquisava para esse texto fica tentando achar subliminares, motivos e conceitos por trás da história. Eu prefiro não criar explicações mirabolantes para algo que eu não compreendo. Minha justificativa (ou desculpa) é que de todas as séries apresentadas nesse texto Do Inferno foi a que eu li há mais tempo, e depois nunca mais reli.
Existe um bom filme dessa historia, mas não é o foco da coluna. A história é muito boa, e é claro que o Alan Moore não podia deixar um personagem tão marcante como Jack o Estripador fora de seus roteiros, como tudo o que esse roteirista escreve há varias críticas políticas e sociais. Vale a pena conferir e julgar por si só. Detalhe importante, nessa história a identidade de Jack é revelada.
Onde foi que eu já vi isso antes? Essa é realmente fácil e óbvia demais, Jack o Estripador realmente existiu e jamais foi capturado ou identificado, as teorias de que ele seria um médico vieram da própria Scotland Yard, devido à precisão cirúrgica dos cortes e mutilações do maníaco.
Até a próxima
Vicente Tavares
Erros 26 Março, 2009
Posted by vicentetavares in Crônicas.add a comment
Ao longo da vida aprendemos que errar é humano. O erro é uma etapa do aprendizado, mas ainda assim somos ensinados a NÃO ERRAR. Quando somos pequenos, se erramos somos ridicularizados ou castigados, talvez por isso ninguém goste de errar e sempre tentamos justificar de modo que o erro desapareça ou pelo menos se torne menor.
Eu costumo dizer que todo erro passa por 7 etapas simples e bem claras:
1- Cometer o erro: Consciente ou insconscientemente nós erramos todos os dias e várias vezes. A maioria passa despercebida até alguém…
2- Perceber o erro: Cedo ou tarde alguém descobre e nos cobra pelo erro. Nessa hora é que quem errou deve…
3- Admitir o erro: Quando somos francos e sinceros para admitir somos bastante corajosos, temos caráter, mas isso apenas não basta, demos o primeiro passo certo, o seguinte é…
4 – Pedir desculpas: O erro não estará admitidos se sinceramente arrependidos não pedirmos desculpas. Não é um sinal de fraqueza, é humildade e valor, mas lembre-se de…
5 – Consertar o erro: Reparar o dano causado, limpar a bagunça que fizemos ao invés de esperar que alguém venha resolver o problema que nosso erro causou…
6 – Aguentar as consequencias: Essa é a pior parte. Porque é nessa hora que somos confrontados pelo que fizemos. Num mundo justo pagaríamos pelos nossos erros, conforme nossa culpa, ou seja, errar consciente do erro é bem mais grave do que errar sem saber. Mas o mundo não é justo e às vezes pagamos por erros que não deveríamos. Assim temos que arcar com as consequencias pois são elas que nos levam à última etapa…
7 – Aprender com o erro: Essa é a grande habilidade dos vencedores. Quando aprendemos com nossos erros nos tormanos pessoas melhores, amadurecemos e não cometemos mais aquele mesmo erro.
Afinal pra que insistir num erro se temos tantos novos para cometer?
Por isso jamais devemos deixar de tentar por medo de errar. Pois se fizer isso transformaremos o erro em Fracasso.
Porque errar é uma etapa do aprendizado, mas desistir é abandonar a busca, é fracassar consigo mesmo e com os outros.
Nunca desista, erre, conserte, aprenda, continue…
Só o Essencial #1 10 Março, 2009
Posted by vicentetavares in Essencial.add a comment
Quadrinhos. Todo mundo já leu, ou lê, quadrinhos, é claro que durante um período de nossas vidas lemos muito mais do que em outros. Mas existem muitas opções de quadrinhos, tanto das novas histórias quanto das histórias antigas e clássicas, e certamente já ouviram falar de clássicos inesquecíveis ou obras-primas dos quadrinhos, como A Piada Mortal, Sin City entre tantos outros.
Mensalmente vou apresentar e comentar um pouco sobre o que considero o essencial no mundo dos quadrinhos.
Pra começar vou comentar sobre os três roteiristas que considero essencial que se conheça quando o assunto é quadrinhos. São eles que formam a trindade máxima da velha guarda: Alan Moore, Neil Gaiman e Frank Miller.
Cada um desses gênios dos quadrinhos escreveu para os grandes personagens que estamos acostumados a ver, tais como Batman, Superman, X-men, entre outros. Mas cada um deles criou suas histórias inéditas, sua mitologia, enfim suas obras-primas que são respectivamente: Watchmen, Sandman e Sin City.
O primeiro deles – Watchmen – acaba de ganhar a versão cinematográfica, o filme dirigido por Zack Snyder (o mesmo diretor de 300 – de Frank Miller), teve sua estréia mundial dia 06/03/2009 e agradou a maioria dos fãs.
Sandman ainda não chegou aos cinemas, até porque de todos os três exemplos citados é a história mais complexa e também a maior publicada em 65 edições. Mas uma belíssima coleção de encadernados foi publicado pela editora Conrad, infelizmente os dois primeiros volumes estão completamente esgotados sendo praticamente impossível de ser encontrado, mesmo em sebos especializadas, recentemente vi um exemplar sendo vendido num site de leilões online pela módica quantia de R$ 300,00 (!!!).
Sin City já teve seu longa-metragem lançado e contou com participações excelentes de Bruce Willis, Jessica Alba (ambos interpretando personagens da história O Assassino Amarelo), além de Benício Del Toro, mas o melhor papel ficou com Mickey Rourke que interpretou o muito mal encarado Marv.
Esses comentários foram apenas um aperitivo, cada um dos três roteiristas será discutido num artigo todo especial, mencionando o essencial de suas obras e cada uma das obras-primas será detalhada. Se nunca leu nada de nenhum desses autores, você ainda não conhece nada sobre quadrinhos. Se não leu nenhuma das obras-primas, ainda há tempo de aproveitar e entender porque eles são considerados pelos críticos e público de quadrinhos como gênios.
Até a próxima.
Fábio dos Santos e o Capitão 12 Fevereiro, 2009
Posted by vicentetavares in Contos.1 comment so far
Nem todo policial é corrupto, isso todo mundo sabe. Mas quando são eles se tornam o melhor amigo ou o pior inimigo que um traficante pode ter. Depende do pagamento, alias tem que ser tudo certinho com eles. Que ironia. Traficante que não paga o valor combinado morre, quando atrasam também morrem. Funciona como uma loteria, ou melhor, como uma roleta russa. Quando alguém atrasa o pagamento eles escolhem um para servir de exemplo pros demais. É claro que os menores, menos importantes, dançam primeiro.
Essa noite Fábio dos Santos tinha o bilhete premiado, e já sabia disso, por isso corria desesperado pelas vielas da favela onde morava. Seu problema tinha sido a concorrência desleal dos policiais. Por azar ou vacilo Fábio havia sido pego numa revista por um policial novato na área. Levou não apenas o dinheiro do pagamento como todo o pó que tinha para vender. Grande! Numa única noite atrasaria a entrega da mercadoria e o pagamento do fornecedor.
Sua ingenuidade foi achar que o Capitão ia “aliviar” o lado dele, quem sabe dar mais uns dias para que ele recuperasse o dinheiro.
– Ta me achando com cara de otário? – disse o capitão antes que Fábio completasse a frase. O tabefe acertou no mesmo lugar que o novato havia batido, há poucos minutos.
Esses putos devem fazer mira pra bater sempre no mesmo lugar.
É claro que o capitão não ia perdoar a divida, nem esperar mais num minuto sequer.
– Cadê minha grana, vagabundo? – o clique seco da arma engatilhada fez com que Fábio perdesse o juízo de vez.
Que outra escolha tinha? Era tomar um tiro na cabeça ou tentar fugir e levar um tiro nas costas. Escolheu a segunda e deu um soco que pegou o capitão de surpresa. Ninguém era louco de tentar bater no capitão. Só um cadáver ambulante como aquele desesperado que descia a favela aos pulos indo para lugar nenhum.
O tiro do policial passou raspando na cabeça de Fábio e começou a perseguição. Fábio tinha duas coisas a seu favor. O elemento surpresa e o conhecimento da favela. O capitão acostumado com anos de corrupção estava fora de forma, mas tinha a obstinação, uma 9 mm e boa pontaria. A caçada estava equilibrada e ambos seguiriam até os limites de suas forças. Um movido pelo desespero de continuar vivo, outro pela obstinação de sua maldade. Ninguém poderia ficar devendo ao capitão, dar-lhe um soco e ainda ficar vivo. Tinha que servir de exemplo.
Fábio desceu a favela até chegar ao asfalto. Ali talvez pudesse se esconder ou roubar um carro, ou melhor, uma moto e fugir. Daria um jeito de buscar sua mulher e seu filho depois. O mais importante agora era sobreviver. E quando saiu da favela viu uma chance se abrir à sua frente. O “beco do gato” seria sua salvação, pois onde terminava a viela começava o desmanche do Alemão. Numa noite escura como aquela seria fácil se esconder no meio dos carros. Talvez até armar uma emboscada com seu revolver .38. Só precisava pular o alambrado que dividia a vida de sua morte.
Foi aí que ouviu o som da sua própria morte. Não no estampido de uma arma, mas na voz de uma criança.
– Pai?
Seu filho Fabinho estava voltando do farol onde vendia balas. Viu o pai entrar na viela e achou estranho.
Quando estava prestes a pular ouviu seu filho. Ele sabia que se o capitão encontrasse seu filho ali certamente o mataria. Precisava escondê-lo.
– Merda, moleque, que porra você ta fazendo aqui? – Gritou exasperado e sem explicar nada jogou o filho com força no meio dos sacos de lixo que entulhavam o beco. Em meio as lagrimas e duvidas Fabinho esboçou uma pergunta que foi silenciada por um saco de lixo que lhe tapou a cara, escondendo-o por completo.
– Nem um pio e não se mexe – gritou a ordem para o filho e ficou ali no meio do beco empunhando o revolver que tinha consigo. Sabia que só teria uma chance, talvez nenhuma.
Não havia mais tempo para fugir, sua ultima chance, se tivesse, seria acertar o capitão assim que aparecesse na viela. Mas só teria essa chance se o capitão estivesse distraído. Teve sorte. Ali, bem no meio da viela o capitão apareceu caçando sua presa.
Blam, blam, blam.
Três tiros. Bem no peito. Num baque surdo com a violência do impacto das balas o capitão caiu no chão. Fábio tremia dos pés à cabeça. Não que fosse o primeiro homem que matava, mas porque tinha a certeza que morreria ali.
– Vacilou capitão. – falou ele se aproximando do corpo para comprovar a morte. Mirou na cabeça para um último tiro, mas recuou. Não tinha a frieza necessária para isso.
Baixou a arma e virou caminhando devagar para dentro do beco para levar seu filho pra casa. Aceitaria a oferta da esposa, tantas vezes rejeitada, de largar tudo e ir para o nordeste onde uma pequena roça da sogra seria o bastante para sustentar a família. Viveria ainda na miséria, mas seria sem policiais, assassinos, e sem faróis para vender bala e sem drogas para traficar. Fabinho que espiou tudo de seu esconderijo ameaçou sair quando viu o rosto do capitão atrás de seu pai. Quis gritar um aviso, mas a voz não saiu. Seu olhar apavorado, no entanto, revelou ao seu pai que o capitão não estava morto.
Mais três tiros foram disparados, dessa vez da 9mm do policial. Esses não encontraram a proteção de um colete à prova de balas.
Fábio dos Santos caiu morto no chão sem ao menos explicar ao filho que estava protegendo-o quando o jogou no meio do lixo. Mas Fabinho sabia disso e sabia que seu silêncio deveria durar até que o policial terminasse de deixar a viela cambaleando e segurando o peito dolorido.
Fábio viu seu pai morrer naquela noite e chorou. Silenciosamente, como sempre chorava.
Lucas 4 Fevereiro, 2009
Posted by vicentetavares in Imagens, Roteiros.1 comment so far
Há algum tempo eu tenho trabalhado com histórias voltadas para o público infantil. Pequenas histórias, livros infantis e, é claro, roteiros de Histórias em Quadrinhos. Depois de alguns roteiros da turma do Menino Maluquinho, do Sitio do Picapau Amarelo e do Cocoricó resolvi investir num personagem meu. Eis que veio o Lucas. A idéia foi minha e do Alfredo que também ajudou no roteiro. Os desenhos e cores (em algumas tirinhas, como teste) foram do Flavio Ribeiro, para saber mais dele consulte o site nos links.
Para sentir o gostinho, vai o estudo dos personagens e a primeira tirinha.


Conto do Assaltante 28 Janeiro, 2009
Posted by vicentetavares in Contos.2 comments
Eu não sou assassino.
Nem sou criminoso. Escuto uma criança chorando muito alto, ou muito perto de mim e isso me incomoda. O corre-corre é desnecessário. A arma não estava carregada. Eu não sou assassino.
Escuto as sirenes da polícia chegando, não tenho medo, tudo não passa de um mal entendido. O dono da loja está com uma arma apontada pra mim. Ele sim é um assassino. Filho da puta. Olho pra cara do desgraçado e ele está assustado. Sei lá porque me lembrou meu pai.
Eu nunca tive pai. Quero dizer, nunca o conheci, mas acho que devia ser igual esse filho da puta porque largou minha mãe assim que soube que ela estava grávida. Ouvi alguém dizer que ele era casado e minha mãe era a amante, descartável. Acho que ela morreu de desgosto, sempre esperando que ele voltasse. Nunca soube o nome dele, nem o que fazia. Por algum motivo achei que ele era um policial e, mesmo odiando, ele era meu herói. Passei anos sonhando que um dia ele ia entrar pela porta do barraco e levar eu e minha mãe para um lugar melhor.
Quando eu cresci descobri que a polícia quando sobe a favela é mandando bala.
Eu quis ser policial, mas favelado não vira polícia e o mais próximo disse que eu conseguiria era ir preso por algum crime. Mas não perdi as esperanças. Eu sei que tem policial corrupto, todo mundo sabe, mas tem muita gente honesta também.
– Larga a arma, mãos pra cima!
O policial que acabou de entrar gritou isso.
– Ali, policial, aquele com a arma é o assassino. – eu diria isso se adiantasse alguma coisa, mas não dá. Nem vou tentar.
Ah, nem precisei falar. O policial algemou e levou o dono da loja. Bem feito. O outro policial entrou atento procurando comparsas do criminoso, mas só havia ele mesmo. Agora está tudo bem. Bom, mais ou menos.
O policial olha pra mim e eu tento ler o nome dele na farda, mas não consigo focar a visão. Acho que vou precisar usar óculos, está tudo embaçado.
– Olá – consegui dizer pra ele, mas acho que acabei assustando o garoto. Puxa vida só agora eu notei com ele era jovem. Saiu correndo da loja, estava passando mal. Não deve ser fácil ser policial. Tem que ter estômago forte.
Fiquei sozinho na loja. Está frio aqui, acho que devia ter colocado uma blusa. Bem que minha Nega disse pra colocar a blusa. Estava tão linda quando eu saí de casa. Mesmo com aquele barrigão de nove meses sempre dá um jeito em tudo.
– Tudo vai se ajeitar.
Ela sempre falava isso. É claro que nem sempre ajeitava. Na verdade nunca se ajeitavam mesmo. Mas ela dizia… e acreditava. Ah minha Nega eu queria acreditar como você. Acho que eu nunca disse o quanto eu te amo. Nosso filho se for menina vai se chamar Maria, como minha mãe, se for moleque vai ser Fábio. Fábio dos Santos como sempre imaginei que se chamava meu pai. E quando crescer o Fábio vai ser um policial. Quem sabe até virar um capitão?
O policial mais velho voltou. Eu estou ouvindo sirenes de novo, mas não é da polícia. Deve ser a ambulância.
Pra que?
Eu devo estar com uma aparência péssima porque ele fez uma careta horrível quando olhou pra mim.
Acho que eu fiz uma careta quando a Nega me contou que estava grávida porque ela começou a chorar dizendo que ia procurar uma clinica pra tirar o bebê. Eu estava bêbado, mas lembro que bati na cara dela. Ô minha Nega, me perdoa? Mas como ela podia pensar numa loucura daquelas. Agora eu sei que no desespero pensamos absurdos. E se deixar até fazemos absurdos.
O policial está me perguntando alguma coisa, mas não está nervoso como o dono da loja.
– F… Fr… Frio…
Consegui falar para o policial e finalmente entendo o que ele estava me perguntando.
– Que merda você fez aqui?
Eu não fiz nada, foi o dono da loja. Mas não da pra falar tanta coisa.
– F… Fa… Fa… bio.
– Seu nome é Fábio?
Droga, não é isso. Lembrei que não disse pra Nega o nome que eu queria se fosse um menino.
Balancei a cabeça que não e tentei falar de novo, mas engasguei com a própria saliva. Não, não é saliva, é sangue. Tento puxar o ar, mas está difícil. Dois enfermeiros entram correndo e colocam uma máscara de oxigênio em mim. Eu empurro e tiro a máscara. O policial me entende. Gente boa.
– Deixem ele. Ele quer falar.
– Meu filho… menino… Fábio.. Fa… bio.
– Seu filho chama Fábio – falou o policial – Está bem
Fala pra Nega que eu fiz besteira. Queria arrumar dinheiro pra tirar a gente daquele inferno. Mas a arma não tava carregada. Eu não sou assassino. O dono da loja sim. Ele é um assassino. Ele me matou, com um tiro de 12 bem na barriga. Acho que é por isso que está tão frio… e tão escuro.
O Som do Silêncio 10 Dezembro, 2008
Posted by vicentetavares in Notícias.add a comment

Esse projeto surgiu numa madrugada fria e silenciosa quando eu tentava escrever alguma nova historia infantil. Simplesmente não surgia nada. Nenhuma idéia sequer.
Até que meu filho de apenas três anos gritou do quarto “Tô com medo” me fazendo pular de susto já que pensei que ele já estivesse dormindo.
Quando fui ao quarto e perguntei do que ele tinha medo a resposta veio sonolenta: “Tem um bicho querendo me pegar”. Eu sabia que ele tinha – e ainda tem - muito medo do escuro e tratei de acalmá-lo dizendo que não havia nada para temer no escuro.
A resposta foi um “Tem sim, ali ó”. Na direção do dedinho apontado nao havia nada (Será?), ou ao menos nada que meus olhos pudessem ver. Querendo tranquilizá-lo de que não havia nada ali acendi a luz – como sempre fazia – e apontei na direção e disse:”Não tem nada ali, viu?”
Do olhar curioso e incerto meu filho me apresentou as criaturas do silêncio:”Quando acende a luz ele some, quando apaga ele volta” – ele disse com toda a propriedade de quem entende do assunto.
E quem é capaz de provar que ele, em sua inocência e pureza, estava errado? Sem que eu percebesse me lembrei dos meus próprios medos quando criança. O maior deles: medo do escuro.
Naquela noite contei-lhe uma histórinha alegre até que voltasse a dormir e deduzi que não passava de um pesadelo. Bloqueando meu maior medo e tentando ME convencer de que não há nada a temer no escuro.
Voltei a escrever e já tinha minha história. Uma história que deveria ser infantil acabou se tornando sombria demais com criaturas do silêncio, das sombras, do medo e da escuridão.
Contar essa história era como lembrar meus próprios medos, lembrar o que existe na escuridão que me fazia olhar para trás quando estava andando sozinho voltando da escola. Lembrar daquele olhar que eu jurava ver me espreitando da porta do meu quarto. “É um tipo de duende” – eu dizia pra mim mesmo naquela época.
Com o tempo me convenci que era apenas minha imaginação. Será mesmo?