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… E tudo o que restou foi o Silêncio 3 Fevereiro, 2008

Posted by vicentetavares in Notícias.
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Seis anos atrás

 

Nunca imaginei que minha vida fosse mudar tanto em tão pouco tempo.

Há apenas um ano eu era apenas Donato Ramirez, agente da polícia Federal brasileira, um dos melhores se me permite a falta de modéstia, e agora aqui estou em Rennes lê Chateau, um vilarejo perdido no sul da França, envolvido numa história que mais parece um roteiro de Hollywood.

Meu estômago está embrulhado, estou coberto de sangue e minha cabeça parece que vai explodir

            O mais estranho é que eu sei exatamente quando tudo começou. Eu estava no caso de Michel Dupo, um serial killer que matava suas vítimas de forma ritualística. Para caçar e colocar o filho da mãe na cadeia acabei conhecendo Thomas e suas teorias malucas sobre anjos, demônios e essas coisas… Bem agora não me parecem mais tão malucas.

            O Thomas me ajudou a prender o Dupo, em troca eu o ajudei a proteger Katherine, uma mulher que acreditava que deveria juntar quatro relíquias católicas para que engravidasse do Messias.

            Ela cumpriu a missão.

            Ela está grávida.

            Mas não me pergunte se o filho dela será o novo Jesus Cristo, porque não tenho a menor idéia.

            Só sei que tem um monte de gente que acredita e a maioria desses que acreditam estão tentando matá-la. Alias foi por isso que eu vim parar aqui, para levá-la para um lugar seguro.

            O Thomas acredita que descobriram seu esconderijo no mosteiro de Magdala e me pediu para levá-la para outro  lugar. Eu bem que tentei, mas tudo aconteceu muito rápido.

            Logo que cheguei no mosteiro fui recebido pelo próprio Thomas. Ele estava, mas parecia bastante cansado. Havia nove meses desde a última vez que nos vimos, no dia em que Katherine cumpriu sua missão.

            Pensei que ia encontrá-la com um bebê no colo, mas ao invés disso eu a vi descendo as escadas do mosteiro em desabalada correria com uma barriga enorme do nono mês de gestação.

            Thomas ficou tão espantado quanto eu. Talvez mais.

            Katherine, apavorada, sentia muitas dores e a única coisa que conseguiu dizer foi: “Ayel”

            O anjo Ayel, o mesmo que fingiu ajudá-la a cumprir a missão apenas para se revelar como um grande traidor. O que ele realmente queria era corromper o bebê de Kat para transformá-lo no Anticristo ou alguma maluquice assim.

            Um instante depois Ayel apareceu no pé da escada usando um longo sobretudo preto e carregando uma longa adaga.

            Thomas atirou contra o anjo, acertando-o no abdômen. Entretanto Ayel simplesmente ignorou o tiro e continuou avançando.

            Thomas se virou para mim e disse:

            – Tire Katherine daqui, depressa.

            Apoiando Kat fui conduzindo-a para a saída o mais depressa que pude, mas quando chegamos à porta encontramos outro perseguidor dela.

            – Ephisto! – ela gritou assustada.

            O demônio que a perseguia tentando impedi-la de realizar sua missão estava sorrindo por tê-la encontrado.

            Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele me jogou contra a parede e avançou segurando Kat pelo pescoço erguendo-a do chão.

            Assim que me recobrei saquei minha arma e atirei, minha boa pontaria garantiu um tiro certeiro no braço do demônio que soltou Katherine.

            Kat só tinha uma chance de fuga e graças a Deus não a desperdiçou.

            Enquanto isso eu lutava contra o demônio e Thomas continuava sua batalha contra o anjo Ayel.

            Uma coisa precisa ser dita sobre anjos e demônios: armas de fogo não são muito eficazes contra eles e com Ephisto a coisa não era diferente de modo que eu estava levando a maior surra da minha vida..

            Eu estava no chão quando vi Thomas arrancar o coração de Ayel com sua própria adaga. Mas assim que o anjo tombou morto o demônio aproveitou a distração de Thomas para atacá-lo.

            – Cuidado! – gritei tentando alertá-lo, mas era tarde demais.

            Thomas se virou apenas para ver o sorriso sarcástico do demônio enquanto seu ventre era rasgado por garras.

            Thomas deixou cair a adaga e aproveitando a chance, corri até Ephisto para atravessar a adaga angelical em seu peito demoníaco.

            Antes de morrer Thomas ainda viu o demônio sendo morto por mim e sorriu.

            Depois disso o corpo de Ephisto se dissolveu numa nuvem fedorenta de enxofre. O mais estranho foi que essa nuvem avançou sobre mim como se quisesse me atacar ou sufocar. Então tudo passou, a nuvem se dissipou no ar.

            E tudo que restou foi o silêncio.