Lucas e A Tempestade 18 Maio, 2008
Posted by vicentetavares in Contos.trackback
Fiz essa história para contar para meus filhos à noite, antes de dormir. Eles gostaram bastante e ficam me perguntando sobre o que aconteceu com o anjinho e se o Lucas realmente ficou bonzinho. Por isso decidi escrever uma série de histórias com esses personagens. Comentários e críticas são bem vindos. Ilustradores interessados também
Era uma tarde de bastante calor e o pequeno Lucas brincava e corria num emocionante jogo de futebol.
Lucas era um menino de apenas 3 anos de idade, mas muito esperto e muito, muito levado e bagunceiro. Estava sempre correndo e pulando pela casa; sua mãe que o amava muito estava sempre cuidando para que ele não se machucasse.
Naquela tarde Lucas jogava bola com seus vizinhos, o pequeno Cauê de apenas 3 anos e seu irmão mais velho Cauã de 4 anos. A brincadeira estava muito divertida até que a mãe de Cauê e Cauã decidiu que era hora de seus filhos entrarem para tomar banho e jantar.
Lucas bem que tentou convencer a mãe de seus amiguinhos a deixá-los ali um pouco mais:
– Ah, tia! Deixa eles ficarem só mais um pouquinho.
Mas isso não adiantou e lá se foram seus amigos para dentro da casa.
Lucas não conseguia entender porque seus amigos não podiam ficar e brincar, por que eles tinham que entrar bem na hora em que a brincadeira estava tão divertida.
Chorando, e muito bravo ele foi pra dentro de casa.
Sua mãe quando soube o que havia acontecido tentou lhe explicar que no dia seguinte poderiam continuar a brincadeira, mas Lucas estava tão bravo, tão bravo que falou um palavrão e saiu correndo.
Sua mãe ficou muito triste e muito brava com o palavrão que ele havia falado e o colocou sentado em sua cama para pensar sobre a malcriação que havia feito.
Apesar de chorar ele não podia sair de sua cama. Então ele começou a olhar pela janela e viu o quintal onde estava brincando.
De repente começou a chover. Mas era uma chuva muito forte e Lucas ficou assustado com os raios que cruzavam o céu e com o barulho forte do trovão.
Lucas se lembrou do que seu amigo Cauã sempre falava sobre os trovões:
– Quando a gente ouve trovão é porque Deus está muito bravo!
Outro trovão assustou novamente Lucas e ele se escondeu embaixo das cobertas. Ficou ali escondido por algum tempo e então começou a pensar.
Para Lucas Deus havia ficado bravo porque ele fez malcriação para sua mãe, falou palavrão.
– Deus fica muito bravo quando criança fala palavrão – sua mãe sempre lhe dizia.
E agora não poderia ir brincar nem com seus amigos e nem sozinho, a não ser que aquela tempestade parasse. Mas se Deus estava bravo com ele a única maneira de fazer aquela chuva parar era pedir desculpas para Deus e prometer que não ia mais falar palavrão.
Lucas queria pedir desculpas, mas toda vez que ele falava um trovão fazia barulho e Deus não ouvia.
Ele decidiu ir até o céu para pedir desculpas para Deus. Ele saiu debaixo das cobertas e pensou num jeito de ir até o céu e voltar sem que sua mãe percebesse que ele havia saído do castigo. Afinal se ele saísse do castigo sem ela deixar com certeza Lucas ia ter problemas muito sérios.
Mas por mais que ele pensasse não conseguia achar um jeito de ir até o céu, afinal lá é tão alto… quando Lucas já estava quase desistindo ele ouviu um barulho!
Quando olhou para trás viu um menino mais ou menos do mesmo tamanho que ele, tinha os olhos azuis e o cabelo cacheado e bem loirinho, só depois Lucas percebeu que aquele menino era na verdade um anjinho.
– Você é um anjo! – exclamou Lucas
– Sim, eu sou seu anjo da guarda e vim aqui pra levar você até o céu.
Lucas mal podia acreditar, mas é claro que com seu anjo da guarda poderia ir voando até o céu pra pedir desculpa para Deus.
E assim Lucas segurou na mão de seu anjo da guarda e eles saíram voando pela janela, a chuva não molhava e a sensação de voar era deliciosa.
Eles voaram e atravessaram as nuvens e viram o sol brilhando acima da tempestade.
Lucas tocou os pés nas nuvens e percebeu que elas eram macias como algodão.
Seu anjo o levou até o trono de Deus e Lucas viu que tudo ali no céu era bonito. Havia outros anjos brincando, cantando, tocando harpas, flautas e outros instrumentos, era realmente um lugar muito agradável.
Quando chegou diante do trono de Deus Lucas se lembrou porque estava ali, havia falado um palavrão e queria pedir desculpas para Deus.
O pequeno Lucas estava tão envergonhado que ficou de cabeça baixa o tempo todo, não tinha coragem de olhar para o rosto de Deus, pois achava que ele estaria muito bravo.
– Papai do Céu – começou a dizer o pequeno Lucas – Eu sei que falei um palavrão muito feio, mas eu não vou falar de novo, não fica bravo comigo… me desculpa?
Deus sorriu para o pequeno Lucas pois não estava bravo com ele, é claro que ficou triste quando Lucas falou aquele palavrão, mas não estava bravo. Deus então disse:
– Eu não estou bravo com você Lucas, pode ficar tranqüilo, mas volte pra casa logo ou sua mãe vai ficar preocupada, mas para ter certeza de que não estou bravo leve esse pirulito para você, ele é gostoso igual algodão doce.
Lucas mal podia acreditar, Deus não estava bravo com ele e ainda tinha dado um pirulito para ele.
– Obrigado Papai do Céu, vou ser bonzinho eu prometo!
E Lucas pegou na mão de seu anjo da guarda novamente e eles voltaram pra casa. A chuva havia parado e havia um lindo arco-íris, então Lucas e o seu anjo desceram escorregando pelo arco-íris e entraram no quarto.
Bem depressa Lucas deitou novamente na cama e seu anjinho foi embora, nessa hora a mãe de Lucas entrou no quarto e viu seu filho deitado na cama, como se estivesse dormindo.
Lucas levantou olhou para sua mãe deu-lhe um grande abraço e pediu desculpas pelo palavrão que havia falado prometendo não fazer isso de novo.
Sua mãe sorriu e perguntou onde ele havia conseguido aquele pirulito que estava segurando.
Lucas contou sua história de como tinha ido até o céu com seu anjo da guarda e como Deus era bonzinho com as crianças.
À noite quando Lucas ia dormir seu anjinho entrou pela janela e trouxe mais um montão de pirulitos e eles ficaram bastante tempo conversando até que Lucas adormeceu…
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