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O Som do Silêncio 10 Dezembro, 2008

Posted by vicentetavares in Notícias.
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          Esse projeto surgiu numa madrugada fria e silenciosa quando eu tentava escrever alguma nova historia infantil. Simplesmente não surgia nada. Nenhuma idéia sequer.

 

          Até que meu filho de apenas três anos gritou do quarto “Tô com medo” me fazendo pular de susto já que pensei que ele já estivesse dormindo.

          Quando fui ao quarto e perguntei do que ele tinha medo a resposta veio sonolenta: “Tem um bicho querendo me pegar”. Eu sabia que ele tinha – e ainda tem - muito medo do escuro e tratei de acalmá-lo dizendo que não havia nada para temer no escuro.

         A resposta foi um “Tem sim, ali ó”. Na direção do dedinho apontado nao havia nada (Será?), ou ao menos nada que meus olhos pudessem ver. Querendo tranquilizá-lo de que não havia nada ali acendi a luz – como sempre fazia – e apontei na direção e disse:”Não tem nada ali, viu?”

        Do olhar curioso e incerto meu filho me apresentou as criaturas do silêncio:”Quando acende a luz ele some, quando apaga ele volta” – ele disse com toda a propriedade de quem entende do assunto.

          E quem é capaz de provar que ele, em sua inocência e pureza, estava errado? Sem que eu percebesse me lembrei dos meus próprios medos quando criança. O maior deles: medo do escuro.

         Naquela noite contei-lhe uma histórinha alegre até que voltasse a dormir e deduzi que não passava de um pesadelo. Bloqueando meu maior medo e tentando ME convencer de que não há nada a temer no escuro.

          Voltei a escrever e já tinha minha história. Uma história que deveria ser infantil acabou se tornando sombria demais com criaturas do silêncio, das sombras, do medo e da escuridão.

          Contar essa história era como lembrar meus próprios medos, lembrar o que existe na escuridão que me fazia olhar para trás quando estava andando sozinho voltando da escola. Lembrar daquele olhar que eu jurava ver me espreitando da porta do meu quarto. “É um tipo de duende” – eu dizia pra mim mesmo naquela época.

        Com o tempo me convenci que era apenas minha imaginação. Será mesmo?