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Amor à Vida 8 Abril, 2011

Posted by vicentetavares in Crônicas.
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Já disse em mais de uma ocasião que minhas leituras costumam influenciar muito, especialmente sobre o que eu escrevo, por isso essa semana tomo emprestado outro trecho de Os Irmãos Karamázov:

 

“Eu estava aqui sentado, e vê o que dizia para mim mesmo: se eu não acreditasse na vida, se perdesse a confiança na mulher querida, se perdesse a confiança na ordem das coisas, se me convencesse até de que tudo, ao contrário, é uma desordem, um caos maldito e talvez até demoníaco, mesmo que todos os horrores da frustração humana me atingissem, ainda assim eu teria vontade de viver (…)

Muitas vezes fiz a mim mesmo esta pergunta: se existirá no mundo um desespero que vença em mim essa sede frenética e talvez indecente de viver, e decidi que tal coisa parece não existir(…)”

 

Sede de viver. Acho que nunca tinha visto ninguém demonstrar isso com tamanha naturalidade e beleza quanto nosso vice-presidente José Alencar. Desde 1997 ele combatia o câncer, passou por 16 cirurgias e incontáveis sessões de quimioterapia. Mas o que me impressiona era a tranquilidade com que ele falava da vida e da morte. Estava preparado para a morte, mas amava demais a vida para se entregar e creio que esse seja o seu maior legado. Sua postura diante do inevitável era de serenidade sem conformismo, despertava não um sentimento de piedade, mas sim de garra e luta. Para viver, para preservar a vida.

O oposto a isso é o mais completo desprezo pela vida. Própria e alheia, como infelizmente foi demonstrado por um maluco que faço questão de não mencionar sequer o nome, que entrou numa escola no Rio de Janeiro e de forma covarde e absurda matou 12 crianças e acabou morto pela polícia. Nenhuma palavra é boa o bastante para representar minha aversão a esse ato cruel e sem propósito.

Que Deus receba essas vítimas em Seus braços e que julgue esse assassino covarde com Sua Justiça. As famílias, amigos e testemunhas desse horror, desejo-lhes muita força e a todos peço que, em homenagem a essas vítimas, reflitam em silêncio por um minuto o valor de cada vida e em seguida agradeçam a Deus tão somente por estarem vivos mais um dia.

 

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