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9mm: São Paulo 20 Junho, 2008

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Pra quem não conhece, 9mm: São Paulo é uma série produzida pela Fox Brasil. um projeto em 4 episódios que trata do cotidiano de uma equipe de investigadores de polícia. Foi anunciado que seriam do DHPP, o departamento de homicídios de São Paulo, embora eu não vi no primeiro episódio nenhum deles no prédio real do DHPP, mas o importante é que eles investigam homicídios mesmo.

Muito parecido com a proposta do seriado que o Alfredo e eu havíamos desenvolvido, o Homicídios, embora no nosso seriado haveria muito mais investigação e menos porrada. Algo mais próximo do CSI.

Mas vamos a minha opinião sobre esse primeiro episódio que foi ao ar dia 10 de Junho de 2008.

Achei bacana. Alguns diálogos ficaram muito bons, outros ficaram um lixo, mas na média está bom. Os palavrões povoam todo o episódio que recebeu classificação de 18 anos (acertadamente), tem cenas de drogas, sexo (não explicito), o próprio linguajar, violência, etc. Nada é gratuito, o que é muito bom, os palavrões são bem colocados, são ditos porque fazem parte do contexto e não apenas para ter um palavrão.

A qualidade de imagem (a Fotografia) eu não gostei, achei as cenas muito escuras.

Tem algumas distorções que me pareceram propositais, mas certamente foram fora de hora e o que eu achei pior é que o camera-man parece ter um problema de tremedeira, praticamente todas as cenas a câmera treme.

Concordo com o recurso de câmera em movimento para cenas de ação, perseguição, etc, mas numa cena parada a câmera deveria ficar parada também.

Os closes e cortes também não me agradaram, em determinado ponto vemos duas conversas em pontos diferentes, achei uma droga.

No geral as cenas de ação são as que funcionam melhor, mas não vi nada de investigação, os policiais praticamente tropeçam nos fatos.

Os personagens foram bem construídos e bem apresentados, sem contar que a interpretação dos atores principais foi ótima também. Ainda não consegui eleger um personagem que eu gostei mais, o delegado é muito bom, a Luiza também, o Tavares é um sem noção e o Horácio faz o estilo Canceroso-Marlon Brando, foi ele e o outro investigador (que não me lembro o nome) os dois que menos agradaram, mas ainda assim fizeram seu papel.

Vamos aguardar os demais episódios, da minha parte torço muito para que 9mm faça muito sucesso, quem sabe a Fox não decide me chamar para ajudar a escrever a próxima temporada?

Lucas e A Tempestade 18 Maio, 2008

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Fiz essa história para contar para meus filhos à noite, antes de dormir. Eles gostaram bastante e ficam me perguntando sobre o que aconteceu com o anjinho e se o Lucas realmente ficou bonzinho. Por isso decidi escrever uma série de histórias com esses personagens. Comentários e críticas são bem vindos. Ilustradores interessados também

 

Era uma tarde de bastante calor e o pequeno Lucas brincava e corria num emocionante jogo de futebol.

Lucas era um menino de apenas 3 anos de idade, mas muito esperto e muito, muito levado e bagunceiro. Estava sempre correndo e pulando pela casa; sua mãe que o amava muito estava sempre cuidando para que ele não se machucasse.

Naquela tarde Lucas jogava bola com seus vizinhos, o pequeno Cauê de apenas 3 anos e seu irmão mais velho Cauã de 4 anos. A brincadeira estava muito divertida até que a mãe de Cauê e Cauã  decidiu que era hora de seus filhos entrarem para tomar banho e jantar.

Lucas bem que tentou convencer a mãe de seus amiguinhos a deixá-los ali um pouco mais:

– Ah, tia! Deixa eles ficarem só mais um pouquinho.

Mas isso não adiantou e lá se foram seus amigos para dentro da casa.

Lucas não conseguia entender porque seus amigos não podiam ficar e brincar, por que eles tinham que entrar bem na hora em que a brincadeira estava tão divertida.

Chorando, e muito bravo ele foi pra dentro de casa.

Sua mãe quando soube o que havia acontecido tentou lhe explicar que no dia seguinte poderiam continuar a brincadeira, mas Lucas estava tão bravo, tão bravo que falou um palavrão e saiu correndo.

Sua mãe ficou muito triste e muito brava com o palavrão que ele havia falado e o colocou sentado em sua cama para pensar sobre a malcriação que havia feito.

Apesar de chorar ele não podia sair de sua cama. Então ele começou a olhar pela janela e viu o quintal onde estava brincando.

De repente começou a chover. Mas era uma chuva muito forte e Lucas ficou assustado com os raios que cruzavam o céu e com o barulho forte do trovão.

Lucas se lembrou do que seu amigo Cauã sempre falava sobre os trovões:

– Quando a gente ouve trovão é porque Deus está muito bravo!

Outro trovão assustou novamente Lucas e ele se escondeu embaixo das cobertas. Ficou ali escondido por algum tempo e então começou a pensar.

Para Lucas Deus havia ficado bravo porque ele fez malcriação para sua mãe, falou palavrão.

– Deus fica muito bravo quando criança fala palavrão – sua mãe sempre lhe dizia.

E agora não poderia ir brincar nem com seus amigos e nem sozinho, a não ser que aquela tempestade parasse. Mas se Deus estava bravo com ele a única maneira de fazer aquela chuva parar era pedir desculpas para Deus e prometer que não ia mais falar palavrão.

Lucas queria pedir desculpas, mas toda vez que ele falava um trovão fazia barulho e Deus não ouvia.

Ele decidiu ir até o céu para pedir desculpas para Deus. Ele saiu debaixo das cobertas e pensou num jeito de ir até o céu e voltar sem que sua mãe percebesse que ele havia saído do castigo. Afinal se ele saísse do castigo sem ela deixar com certeza Lucas ia ter problemas muito sérios.

Mas por mais que ele pensasse não conseguia achar um jeito de ir até o céu, afinal lá é tão alto… quando Lucas já estava quase desistindo ele ouviu um barulho!

Quando olhou para trás viu um menino mais ou menos do mesmo tamanho que ele, tinha os olhos azuis e o cabelo cacheado e bem loirinho, só depois Lucas percebeu que aquele menino era na verdade um anjinho.

–  Você é um anjo! – exclamou Lucas

– Sim, eu sou seu anjo da guarda e vim aqui pra levar você até o céu.

Lucas mal podia acreditar, mas é claro que com seu anjo da guarda poderia ir voando até o céu pra pedir desculpa para Deus.

E assim Lucas segurou na mão de seu anjo da guarda e eles saíram voando pela janela, a chuva não molhava e a sensação de voar era deliciosa.

Eles voaram e atravessaram as nuvens e viram o sol brilhando acima da tempestade.

Lucas tocou os pés nas nuvens e percebeu que elas eram macias como algodão.

Seu anjo o levou até o trono de Deus e Lucas viu que tudo ali no céu era bonito. Havia outros anjos brincando, cantando, tocando harpas, flautas e outros instrumentos, era realmente um lugar muito agradável.

Quando chegou diante do trono de Deus Lucas se lembrou porque estava ali, havia falado um palavrão e queria pedir desculpas para Deus.

O pequeno Lucas estava tão envergonhado que ficou de cabeça baixa o tempo todo, não tinha coragem de olhar para o rosto de Deus, pois achava que ele estaria muito bravo.

– Papai do Céu – começou a dizer o pequeno Lucas – Eu sei que falei um palavrão muito feio, mas eu não vou falar de novo, não fica bravo comigo… me desculpa?

Deus sorriu para o pequeno Lucas pois não estava bravo com ele, é claro que ficou triste quando Lucas falou aquele palavrão, mas não estava bravo. Deus então disse:

– Eu não estou bravo com você Lucas, pode ficar tranqüilo, mas volte pra casa logo ou sua mãe vai ficar preocupada, mas para ter certeza de que não estou bravo leve esse pirulito para você, ele é gostoso igual algodão doce.

Lucas mal podia acreditar, Deus não estava bravo com ele e ainda tinha dado um pirulito para ele.

– Obrigado Papai do Céu, vou ser bonzinho eu prometo!

E Lucas pegou na mão de seu anjo da guarda novamente e eles voltaram pra casa. A chuva havia parado e havia um lindo arco-íris, então Lucas e o seu anjo desceram escorregando pelo arco-íris e entraram no quarto.

Bem depressa Lucas deitou novamente na cama e seu anjinho foi embora, nessa hora a mãe de Lucas entrou no quarto e viu seu filho deitado na cama, como se estivesse dormindo.

Lucas levantou olhou para sua mãe deu-lhe um grande abraço e pediu desculpas pelo palavrão que havia falado prometendo não fazer isso de novo.

Sua mãe sorriu e perguntou onde ele havia conseguido aquele pirulito que estava segurando.

Lucas contou sua história de como tinha ido até o céu com seu anjo da guarda e como Deus era bonzinho com as crianças.

À noite quando Lucas ia dormir seu anjinho entrou pela janela e trouxe mais um montão de pirulitos e eles ficaram bastante tempo conversando até que Lucas adormeceu…

Atrás dos Óculos – parte I 15 Abril, 2008

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1.

Vinícius limpou a lente dos óculos e colocou-os novamente. A imagem ainda estava borrada.

Lavou as mãos e saiu rapidamente para a escola, estava atrasado e a escola havia redobrado a segurança por causa de uma série de desaparecimentos que vinham acontecendo com os alunos da sexta série, mais especificamente a sexta série C, que era sua classe.

Em uma semana dois alunos haviam sumido quando voltavam para casa.

Quando chegou ao portão da escola encontrou o inspetor de alunos, o senhor Silvio que estava apreensivo.

- Algum problema seu Silvio? – perguntou Vinícius ajeitando os óculos.

- Não, nenhum, vá logo para sua sala, já está atrasado. – respondeu o inspetor sem conseguir disfarçar sua aflição.

Quando passou em frente à diretoria notou que havia certa movimentação anormal… Havia policiais, professores reunidos. Era por causa dos desaparecimentos, ele sabia.

Subiu apressado até o segundo andar do prédio de sua escola, tropeçou e caiu deixando suas coisas se espalharem pelo chão. Já estava acostumado com as gozações dos colegas, mas não teve como não ficar vermelho de vergonha.

– Que foi quatro-olhos, não enxerga por onde anda? – disse Ricardo chutando o caderno de Vinícius ainda mais longe.

Todos riram, exceto Vinícius.

Ricardo era o típico valentão da escola. Alto, forte, jogador de futebol, popular com os garotos, sucesso com as garotas. Adorava humilhar os mais fracos, especialmente Vinícius.

Era um meio de ele parecer bacana, mas naquele dia Vinícius estava eufórico, realizado talvez. E isso parece ter-lhe dado uma coragem que não era comum.

– Consigo enxergar muito bem, exceto quando tem um idiota na minha frente. – disse se levantando e empertigando-se diante de Ricardo duas vezes maior que ele.

Ricardo armou o braço para dar um soco certeiro que teria feito Vinícius voar, mas foi impedido por André, amigo do brutamonte que percebeu os professores chegando e garantiu que o amigo não se metesse em mais uma confusão.

Antes de entrarem para as salas de aula Ricardo disse explodindo de raiva:

– Você vai morrer quatro-olhos, na verdade já está morto.

Vinícius sorriu discretamente. Um sorriso nervoso.

O professor Gilmar olhou para Ricardo de um modo curioso depois de ouvir a ameaça e durante toda a aula observou o aluno olhando irado para o pacato Vinícius.

 

2.

Antes que a aula terminasse o professor Gilmar deixou um recado que colocou a todos em estado de apreensão:

– Peço que todos vocês tomem muito cuidado ao sair da escola, não andem sozinhos, e evitem locais isolados, está havendo uma onda de seqüestros na escola, mas o policiamento já foi reforçado e a polícia acredita que em breve os seqüestradores serão presos.

A balburdia seguinte já era esperada, todo mundo comentava o desaparecimento de Douglas, Rogério e Marcos, todos daquela sala.

Ricardo conhecia todos eles, mas não estava sequer prestando atenção no que o professor estava falando, só pensava no final do horário para poder acabar com a raça de Vinícius por fazê-lo de idiota na frente de todos.

O professor Gilmar notou isso.

O intervalo veio rápido e Ricardo passou o tempo todo procurando pelo maldito CDF que saiu correndo assim que o sinal soou.

Vinícius saiu correndo para o intervalo assim que a campainha indicou o final da aula, pois sabia que Ricardo estava apenas esperando uma chance para pegá-lo, mas tinha uma coisa que Ricardo se esqueceu: Vinícius não era burro.

Assim que entrou na sala da diretoria encontrou Daniela sentada diante da diretora, dona Sônia, que passava orientações aos monitores das salas sobre os seqüestros.

– Preciso conversar com a senhora, diretora. – disse Vinícius ajeitando os óculos.

– Aguarde só um momento, por favor, Vinícius, já converso com você.

Vinícius sentou-se na sala de espera e aguardou enquanto as últimas instruções eram passadas. Pensou em como aquilo tudo era inútil. Em breve nada disso seria mais necessário, pois o que estava prestes a falar iria fazer cessar os seqüestros.

Antes de tomar essa decisão Vinícius havia pensado muito, mas percebeu que não poderia viver com esse secreto, tinha que falar.

A primeira pessoa a sair da sala da diretora foi Daniela que parou diante dele e disse as palavras que Vinícius jamais esqueceria:

– Adorei aquilo que disse ao idiota do Ricardo hoje cedo. Ele realmente merecia ouvir aquilo. – ela disse.

– Pensei que você fosse apaixonada por ele, não acha ele bonito?

– Eu acho você bonito.

Depois foi embora deixando Vinícius boquiaberto e absolutamente sem reação.

Quando foi chamado para dentro da sala da diretora nem se lembrava o que ia dizer.

– Fale Vinícius, queria me dizer alguma coisa?

Vinícius respirou fundo, e decidiu-se de vez. Tinha que falar.

– Sim, eu vim contar o que aconteceu com os alunos que desapareceram.

Atrás dos Óculos – parte II 15 Abril, 2008

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3.

Logo depois do intervalo Vinícius não voltou à sala e Ricardo, logo após encontrar um bilhete do quatro-olhos em meio às suas coisas:

 

“Você acha que é homem, mas não passa de um idiota ridículo.

Sei que quer me pegar na saída, mas se for homem vai me encontrar

no galpão da Rua Doze sozinho, ou será que precisa de platéia ou de seus

amigos para dar conta de um quatro-olhos como eu?”

 

Decidiu que não deixaria passar em branco a humilhação que tinha sofrido. Talvez Vinícius estivesse acostumado a ser humilhado, e realmente estava, mas Ricardo não.

Assim que o sinal para o inicio da última aula soou, Ricardo juntou seu material rapidamente e saiu da sala, sem dar nenhuma satisfação, sob os olhares curiosos de seus amigos.

Sorrateiramente desceu as escadas e alcançou o pátio, pulou o portão saindo da escola de maneira suspeita. O inspetor de alunos, senhor Sílvio, viu quando o adolescente fugiu da escola, imediatamente avisou a diretora do acontecido.

Dona Sonia não ficou surpresa com a notícia, parecia que já esperava por isso. Lentamente ela tirou o telefone do gancho e discou 190, sendo atendida identificou-se e fez a denúncia:

– Temos motivos para acreditar que um de nossos alunos é um assassino, poderiam comparecer ao galpão abandonado na Rua Doze para averiguar?

 

4.

Vinícius limpou a lente dos óculos e colocou-os novamente. A imagem ainda estava borrada, mas ele pode perceber o pânico nos olhos de Ricardo enquanto a polícia o levava algemado para a viatura.

Por mais que Ricardo negasse ter assassinado seus amigos a polícia tinha provas irrefutáveis.

Ricardo foi preso em flagrante tentando matar Vinícius com uma faca, a mesma faca que matou outros três alunos que estavam enterrados naquele mesmo galpão.

No galpão para onde Vinícius atraiu Ricardo.

Quando o carro da polícia virou a esquina Vinícius não pode evitar um sorriso sombrio de satisfação. Sua vingança estava completa. Certamente ainda seria humilhado em sua vida, mas não mais por Ricardo, Douglas, Rogério e Marcos.

Não havia nada que o ligasse aos crimes, o culpado já estava preso agora restava apenas uma vida tranqüila, talvez até namorasse Daniela.

Talvez visitasse Ricardo na Febem, talvez não.

 

… E tudo o que restou foi o Silêncio 3 Fevereiro, 2008

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Seis anos atrás

 

Nunca imaginei que minha vida fosse mudar tanto em tão pouco tempo.

Há apenas um ano eu era apenas Donato Ramirez, agente da polícia Federal brasileira, um dos melhores se me permite a falta de modéstia, e agora aqui estou em Rennes lê Chateau, um vilarejo perdido no sul da França, envolvido numa história que mais parece um roteiro de Hollywood.

Meu estômago está embrulhado, estou coberto de sangue e minha cabeça parece que vai explodir

            O mais estranho é que eu sei exatamente quando tudo começou. Eu estava no caso de Michel Dupo, um serial killer que matava suas vítimas de forma ritualística. Para caçar e colocar o filho da mãe na cadeia acabei conhecendo Thomas e suas teorias malucas sobre anjos, demônios e essas coisas… Bem agora não me parecem mais tão malucas.

            O Thomas me ajudou a prender o Dupo, em troca eu o ajudei a proteger Katherine, uma mulher que acreditava que deveria juntar quatro relíquias católicas para que engravidasse do Messias.

            Ela cumpriu a missão.

            Ela está grávida.

            Mas não me pergunte se o filho dela será o novo Jesus Cristo, porque não tenho a menor idéia.

            Só sei que tem um monte de gente que acredita e a maioria desses que acreditam estão tentando matá-la. Alias foi por isso que eu vim parar aqui, para levá-la para um lugar seguro.

            O Thomas acredita que descobriram seu esconderijo no mosteiro de Magdala e me pediu para levá-la para outro  lugar. Eu bem que tentei, mas tudo aconteceu muito rápido.

            Logo que cheguei no mosteiro fui recebido pelo próprio Thomas. Ele estava, mas parecia bastante cansado. Havia nove meses desde a última vez que nos vimos, no dia em que Katherine cumpriu sua missão.

            Pensei que ia encontrá-la com um bebê no colo, mas ao invés disso eu a vi descendo as escadas do mosteiro em desabalada correria com uma barriga enorme do nono mês de gestação.

            Thomas ficou tão espantado quanto eu. Talvez mais.

            Katherine, apavorada, sentia muitas dores e a única coisa que conseguiu dizer foi: “Ayel”

            O anjo Ayel, o mesmo que fingiu ajudá-la a cumprir a missão apenas para se revelar como um grande traidor. O que ele realmente queria era corromper o bebê de Kat para transformá-lo no Anticristo ou alguma maluquice assim.

            Um instante depois Ayel apareceu no pé da escada usando um longo sobretudo preto e carregando uma longa adaga.

            Thomas atirou contra o anjo, acertando-o no abdômen. Entretanto Ayel simplesmente ignorou o tiro e continuou avançando.

            Thomas se virou para mim e disse:

            – Tire Katherine daqui, depressa.

            Apoiando Kat fui conduzindo-a para a saída o mais depressa que pude, mas quando chegamos à porta encontramos outro perseguidor dela.

            – Ephisto! – ela gritou assustada.

            O demônio que a perseguia tentando impedi-la de realizar sua missão estava sorrindo por tê-la encontrado.

            Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ele me jogou contra a parede e avançou segurando Kat pelo pescoço erguendo-a do chão.

            Assim que me recobrei saquei minha arma e atirei, minha boa pontaria garantiu um tiro certeiro no braço do demônio que soltou Katherine.

            Kat só tinha uma chance de fuga e graças a Deus não a desperdiçou.

            Enquanto isso eu lutava contra o demônio e Thomas continuava sua batalha contra o anjo Ayel.

            Uma coisa precisa ser dita sobre anjos e demônios: armas de fogo não são muito eficazes contra eles e com Ephisto a coisa não era diferente de modo que eu estava levando a maior surra da minha vida..

            Eu estava no chão quando vi Thomas arrancar o coração de Ayel com sua própria adaga. Mas assim que o anjo tombou morto o demônio aproveitou a distração de Thomas para atacá-lo.

            – Cuidado! – gritei tentando alertá-lo, mas era tarde demais.

            Thomas se virou apenas para ver o sorriso sarcástico do demônio enquanto seu ventre era rasgado por garras.

            Thomas deixou cair a adaga e aproveitando a chance, corri até Ephisto para atravessar a adaga angelical em seu peito demoníaco.

            Antes de morrer Thomas ainda viu o demônio sendo morto por mim e sorriu.

            Depois disso o corpo de Ephisto se dissolveu numa nuvem fedorenta de enxofre. O mais estranho foi que essa nuvem avançou sobre mim como se quisesse me atacar ou sufocar. Então tudo passou, a nuvem se dissipou no ar.

            E tudo que restou foi o silêncio.

Pactos e Mentiras – Parte I 20 Outubro, 2007

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            George Shawn caminhava confiante pela rua deserta apesar da chuva forte que caía deixando-o completamente encharcado.

            Estava apressado e tenso, pois aquela noite não estava sendo uma de suas melhores e ainda havia mais um encontro antes que os preparativos começassem.

            Trezentos anos haviam se passado desde a ultima vez em que aquilo acontecera. Entretanto não era isso que o preocupava, pois sabia o que devia ser feito e sabia como fazer, mas porque aquele mendigo queria vê-lo?

            Pela primeira vez em muito tempo Shawn sentiu medo.

            Quando chegou ao local marcado, um cruzamento isolado, Shawn respirou fundo controlando a respiração e os nervos.

            Sem a visão, precisava confiar em seus outros sentidos para encontrar o que procurava. Imediatamente um cheiro característico chegou às suas narinas.

            - Gato? – disse ele consigo mesmo.

            O miado veio em seguida confirmando suas suspeitas, mas onde estava aquele homem (se é que podia chama-lo assim) que deveria encontrar?

            - não consegue me localizar não é? – disse um mendigo que estava deitado na calçada ao lado do gato.

            O gato ronronou quando o mendigo fez-lhe um carinho.

            Num movimento ágil o homem colocou-se de pé para revelar, não um mendigo decrépito e raquítico de fome, mas um homem robusto e saudável.

            Seu corpo possuía diversas tatuagens, cicatrizes e marcas. Mas havia uma marca que o tornara diferente de qualquer outro homem na Terra.

Uma marca que fazia a morte se afastar dele. A marca da maldição de Deus.

            O homem parou diante de Sawn e embora fosse visivelmente menor que o gigante de ébano era claro perceber quem possuía o controle da situação.

            - George Shawn – disse com voz firme.

            - Caim – disse Shawn num sussurro como se temesse pronunciar aquele nome – Faz muito tempo…

            - Talvez pra você, mortal, pois pra mim três séculos são como um instante.

            Shawn sabia que aquele ser diante dele era provavelmente a criatura mais antiga na face da Terra, o primeiro homicida, amaldiçoado por Deus, o filho de Adão e Eva exilado do paraíso para as Terras de Nod.

            Ironicamente Caim, o amaldiçoado, era pai de Enoque, um enviado da Luz que de tão abençoado ascendeu aos céus sem provar a morte.

            Mas Shawn sabia que se havia sido convocado era por um motivo e era importante.

            - Acredito que já sabe por que o chamei aqui. – falou Caim

            - Eu… – titubeou Shawn – Não, eu não sei.

            - Vim cobrar uma velha dívida. – Caim tinha um sorriso malicioso no rosto – Acho que se lembra, não é?

            Shawn parou por um momento, seu corpo estremeceu ante a lembrança da dívida que assumira com o amaldiçoado séculos atrás.

            Durante muito tempo o medo dessa cobrança o perseguiu como um fantasma. Sempre presente a assombrá-lo. E agora finalmente havia chegado à hora que ele tanto temia.

            O que Caim poderia pedir que ele próprio não pudesse fazer? Mas Shawn sabia que Caim era ardiloso e astuto o bastante para manipular as pessoas a fazerem o que ele quer, como agora…

Shawn lembrou-se do dia em que conheceu Caim, séculos atrás, quando ainda era um escravo e faria qualquer coisa para se libertar, até mesmo sua alma venderia.

            Foi o que ele disse a Caim.

            - Não será necessário. – falou Caim na época – Tenho certeza que encontrará melhor utilidade para sua alma. Mas se eu o libertar me fará um favor.

            - Qual favor?

            - Quando for a hora de cobrar essa divida eu lhe direi.

            Caim naquela época era exatamente igual ao que é hoje, sua aparência permanece inalterada através dos séculos.

            Shawn entretanto estava no auge do vigor. Alto, robusto, forte. Era um escravo valiosíssimo e sua dona não aceitaria perdê-lo, ela era apaixonada por aqueles olhos azuis e músculos rijos.

            Shawn ainda não havia perdido sua visão, e já era muito poderoso com seus ritos xamânicos, mas ainda assim era um escravo. E odiava aquela situação mais do que tudo, por isso acertou o acordo com Caim sem ressalvas.

            Com o passar dos séculos Shawn aprendeu os meios para prolongar sua vida e principalmente aprendeu a temer Caim. Se na época em que era um escravo soubesse o que sabe hoje sobre o amaldiçoado jamais teria aceitado tal acordo.

            Entretanto o que estava feito não podia ser mudado e havia chegado o momento de pagar a divida.

            - O que quer que eu faça – disse Shawn voltando de suas lembranças.

Pactos e Mentiras – Parte II 20 Outubro, 2007

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            - Acredito que conheça um certo David Salvatori? – Caim parecia ansioso e caminhava em volta de Shawn deixando que a chuva o molhasse completamente.

            - O membro mais jovem da família Salvatori, filho de Giuseppe Salvatori.

            - Sim, o filho bastardo e secreto de Giuseppe, conhece bem a historia, não é?

            - Não exatamente. Soube apenas que Giuseppe quebrou os votos e teve um filho, Davi ou David, mas a criança e a mãe morreram no parto, Giuseppe enlouqueceu e sumiu. O que há de especial?

            - Duas coisas – falou Caim – Primeiro: Apenas parte dessa historia é verdade. David e sua mãe não morreram no parto e segundo: David é o hospedeiro perfeito para H’taed.

            Shawn sentiu seu corpo estremecer por completo num segundo ele compreendeu o que Caim queria dizer.

            - David é o Dragão – falou Shawn.

            - Correção: David e H’taed formarão o Dragão.

            - Porque? Porque David? O que o torna tão especial?

            - Os Salvatori são uma linhagem antiga, infelizmente os três últimos Salvatori “puros” que restaram foram Vitorino, Giuseppe e Nathanael.

            Vitorino, o mais jovem virou padre e sempre foi fiel aos votos. Nathanael, é estéril e o mais velho Giuseppe nos fez o favor de quebrar seus votos e ter um filho. Um filho, David, que nasceu num raro alinhamento estelar que o concede uma predisposição para o poder incomensurável do Dragão.

            - Mas porque não tomou a criança quando ainda era um bebê?

            - Quando David nasceu eu fui pessoalmente buscá-la, mas cheguei tarde e a crinça havia fugido com o pai. Eu tentei arrancar da mãe para onde fugiram, mas nem no instante de sua morte ela revelou o paradeiro dos dois.

            As palavras de Caim saíram com naturalidade assombrosa, não havia qualquer demonstração de emoção ou sentimento. Era um assassino frio e cruel.

            - Soube que a criança foi entregue a uma família nos Estados Unidos enquanto o pai foi para uma ordem religiosa na Europa.

            Durante vários anos eu procurei por essa criança sem nenhum sucesso.

            Mas tive uma visão. Um sonho que me forneceu uma pista. Uma pista que segui e que me trouxe até esse momento.

            Só então compreendi como uma simples criança pôde permanecer oculta todo esse tempo: Havia alguém garantindo que David continuasse escondido. Alguém poderoso e tolo.

            - Louis! – concluiu Shawn – Um dos pupilos de Louis chama-se David. Ele é David Salvatori?

            - Exato. E se não estou enganado há um dos seus pupilos entre eles.

            Shawn assentiu com a cabeça já sabendo qual era o favor que Caim pediria.

            - Tudo o que precisa fazer é conduzi-los até o local onde o ritual acontecerá, tire Louis do caminho e o resto H’taed fará.

            - Está me pedindo para fazer o demônio mais poderoso do inferno para a Terra.

            - H’taed já está na Terra, apenas permanece adormecido aguardando o hospedeiro certo.

            -Mas todos esses séculos temos realizado o ritual…

            - Apenas para mantê-lo alimentado – disse Caim com desprezo – Para poupar-lhe do trabalho de fazer isso por si próprio.

            - Compreenda que o exercito das Trevas nunca esteve tão poderoso. Quando o Dragão surgir será o principio do fim dos tempos.

            - Quem vencerá? A pergunta de Shawn permaneceu ecoando na noite em meio a chuva que caia insistente.

Filme de Blasfêmia 11 Junho, 2007

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Esse foi um filme que eu fiz apenas como teste para divulgação do livro Blasfemia. As imagens são de Paulo Cesar Arashiro, a trilha sonora do Rammstein.

Opiniões são bem vindas

http://www.youtube.com/v/hxAnKIbyETg

20 Anos de Caverna do Dragão 6 Dezembro, 2006

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Pois é.

Há vinte anos era exibido pela primeira vez no Brasil o desenho Caverna do Dragão (Dungeons & Dragons no original) pela Rede Globo.

Todo mundo conhece a história: 6 jovens entram numa montanha russa (chamada de Caverna do Dragão) e acabam indo parar num outro mundo cheio de orcs, homens lagarto e homens sapo.

Essas crianças são recebidas pelo enigmatico baixinho careca chamado de Mestre dos Magos (Dungeon Master no original) que lhes entrega armas mágicas e passa a ajudá-los a encontrar o caminho para casa.

Nomes como Hank, Sheyla, Diana, Eric, Presto, Bob, Uni, Vingador e Tiamat ficaram muito conhecidos de todas as crianças. Não por acaso se tornou o desenho mais reprisado pela Rede Globo.

Saiu nos Estados Unidos o DVD oficial com todos os episódios da série (sem previsão de chegada no Brasil), mais extras. Veja o site:

http://www.amazon.com/Dungeons-Dragons-Complete-Willie-Aames/dp/B000JBXY44/sr=11-1/qid=1165411893/ref=sr_11_1/104-5866770-2743938

O Beco 13 Novembro, 2006

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            A noite estava muito fria.

            A cidade parecia mais sinistra e sombria que o normal, talvez fosse pela névoa densa, quase sobrenatural que permeava as ruas ou talvez fosse o silêncio absoluto e ausência de qualquer movimento que transformavam as suas enlameadas numa pintura sombria.

            A madrugada avançava, mas não havia luz, apesar da lua cheia, pois pesadas nuvens escureciam todo o céu.

            Era uma noite de trevas, daquelas em que os seres que povoam os pesadelos das crianças estavam à solta espreitando.

            Em meio a esse cenário lúgubre, um pequeno ser se movimentava quebrando a inércia daquele momento. Um pequeno gato faminto saltou de um telhado sobre um muro. Farejou o ar e perscrutou a escuridão com seus olhos de amarelo intenso e pupilas verticais.

            Com seus pêlos completamente negros ele desapareceu em meio às brumas quando saltou do muro para o chão.

            Como uma sombra se movimentando rua abaixo o gato observava cada detalhe. Subitamente parou em alerta, farejou o ar novamente para ter certeza. Miou alto na escuridão e, em resposta ao seu chamado, dezenas de gatos surgiram saindo de bueiros, telhados, e latas de lixo.

            Logo a rua tornou-se uma fúnebre sessão de miados estridentes.

            Seguindo o pequeno gato preto todos os demais avançaram pela rua até pararem diante de um beco imundo e entulhado de lixo, mas o cheiro que exalava não era apenas o lixo, era o cheiro de sangue. Sangue fresco.

            Enquanto os gatos lambiam uma poça de sangue na saída do beco, o pequeno gato caminhou lentamente entrando no beco seguindo um filete de sangue até sua origem, como se o pequeno gato fosse realmemnte curioso.

            Em meio aos entulhos de lixo havia um corpo jogado com os braços lânguidos num ângulo improvável. Sacos de lixo e jornais velhos cobriam parte do cadáver e escondiam seu rosto.

            Subitamente todos os gatos, exceto o pequeno gato preto, miaram alto saíram correndo daquele lugar. Um cheiro estranho permeou o ar.

            Alguma coisa assustou os gatos…